Prefeito de Ouro Preto do Oeste critica fiscalização popular e exige “providências” da direção de rádio local contra críticos

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Prefeito de Ouro Preto do Oeste critica fiscalização popular e exige “providências” da direção de rádio local contra críticos

OURO PRETO DO OESTE, RO – A gestão municipal de Ouro Preto do Oeste voltou a ser o centro de um debate sobre transparência e controle social. Durante entrevista concedida ao radialista Willians Soares, na Rádio RO 91,5, o prefeito Alex Testoni classificou as recentes cobranças da população e de parlamentares como “ataques sistemáticos, coordenados e irresponsáveis”.

O estopim das críticas do Chefe do Executivo envolveu a fiscalização da obra do Morro Chico Mendes e os questionamentos sobre a reforma do Campo do INCRA.

O Caso do Campo do INCRA: Realidade x Portal da Transparência

A paralisação do Campo do INCRA ganhou destaque após um vídeo gravado diretamente do local por Pablo, morador do bairro. No registro, o cidadão cobrou um posicionamento das autoridades, relatando que a obra está paralisada há cerca de um ano e que esta já seria a segunda empresa a abandonar o canteiro de serviços.

O morador expôs uma grave inconsistência documental: ao buscar informações no Portal da Transparência da prefeitura, Pablo constatou que o sistema não registra nenhuma obra paralisada em todo o município. Essa falha indica um profundo descompasso entre a prestação de contas oficial da prefeitura e a realidade das ruas.

Na rádio, o prefeito Alex Testoni confirmou a informação do morador, admitindo que as duas primeiras empresas contratadas faliram e não entregaram a obra. Como solução, o mandatário anunciou que uma terceira licitação, avaliada em quase R$ 2,8 milhões, foi agendada para o dia 03 de agosto, visando finalizar o gramado, drenagem, vestiários e arquibancadas.

Pressão à Imprensa e Ataques a Cidadãos

Apesar de confirmar o atraso e a falência das empresas, o prefeito reagiu com forte irritação às cobranças, misturando diferentes episódios que o desagradaram. Testoni declarou que Pablo (autor do vídeo no INCRA), por ser morador e servidor público, deveria “se envergonhar” de expor os problemas de infraestrutura da cidade.

O prefeito tentou interferir diretamente na pauta da emissora. O motivo da revolta foi uma entrevista concedida no dia anterior à Rádio RO 91,5 por uma figura política, classificada pelo prefeito apenas como um “candidato” que “não é daqui”.

Incomodado com o espaço dado a crítica, o prefeito exigiu no ar que a diretora da emissora tomasse atitudes:

  • O gestor orientou o apresentador a acionar a diretora Patrícia para cobrar “providências” sobre quem utiliza os microfones da rádio.
  • Testoni declarou que não se pode admitir que pessoas de fora usem a emissora para se promover e “detonar o município”.

📄 Transcrição: “Alex Testoni veio aqui falar, representar o nosso município aqui na Rondônia FM, falar do nosso município. E hoje novamente, semana que vem novamente. Agora vem esses ataques sistemáticos, coordenados. Eu venho na rádio e recebo três ataques. Um na Rondônia FM ontem à tarde, em torno aí de 15 horas e 15 minutos.
Você tem que tomar conhecimento. A Patrícia está aqui na rádio? Pois você tem que ligar para ela, comunicar ela, diretora da rádio, se informar o que aconteceu aqui na Rondônia FM. E a Patrícia tem que tomar providência. O que uma pessoa que não é daqui, nunca veio aqui, não tem nada… candidato, está usando a Rondônia FM para se promover, detonando o nosso município. Não podemos admitir isso mais.
Em seguida, uma pessoa faz a mesma coisa a nível de estado do Morro Chico Mendes. Em seguida, um outro servidor público municipal, lá da Câmara de Vereadores, faz a mesma coisa.
Para aí, Willian. Com todo respeito. Respeita o município de Ouro Preto do Oeste, respeita o nosso povo. Então vocês recebam minha indignação. Como prefeito, como cidadão, como pai, como morador, como apaixonado por Ouro Preto do Oeste.”

Fonte: Trecho de entrevista concedida pelo prefeito à Rádio RO 91,5 (Rondônia FM), em 31/07/2026. Apresentação: Willians Soares.

A Ação da Câmara Municipal e o Apagão da Transparência

O embate ganhou ampla repercussão, levantando questionamentos sobre a impessoalidade administrativa da atual gestão e o respeito à liberdade de imprensa.

No âmbito legislativo, a inércia do Executivo gerou uma reação oficial. Na última terça-feira, 04 de agosto de 2026, o vereador Weuler Silva (NOVO) protocolou o Ofício Nº 40/2026 direcionado ao Gabinete do Prefeito. No documento, o vereador exige respostas claras sobre 11 pontos críticos da obra do Campo do INCRA, incluindo o motivo da paralisação e os valores já pagos.

O apagão informacional não afeta apenas os parlamentares e moradores, mas também as instituições de controle social. Documentos comprovam que o próprio Instituto Destemidos Sentinelas (IDS) formalizou um requerimento administrativo exigindo transparência da gestão.

  • O pedido foi registrado na plataforma oficial Informa.BR no dia 10 de junho de 2026, sob o protocolo nº 04175.2026.000101-04.
  • O documento exigia da prefeitura a relação de pessoas sem vínculo funcional efetivo que possuem acesso a sistemas internos, documentos e circulação em áreas administrativas do Executivo (excluindo os voluntários escolares da SEMECE).
  • Conforme as regras da Lei de Acesso à Informação, o prazo máximo para a Prefeitura de Ouro Preto do Oeste apresentar a resposta venceu no dia 30 de junho de 2026.
  • Mesmo com o prazo legal estourado há mais de um mês, o sistema da transparência federal aponta que a prefeitura ignorou o pedido, que segue apenas com o status de “Cadastrada”.

O Instituto Destemidos Sentinelas (IDS) reforça que a administração pública não é uma propriedade privada, e o controle social não é um ataque, mas um direito e dever do cidadão. O IDS continuará monitorando de perto cada contrato, cada licitação e cada centavo do dinheiro público de Ouro Preto do Oeste, seguindo inabalável na defesa da verdadeira transparência.


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